
A curiosa origem da alcunha dos habitantes de Saragoça. Uma tradição que remonta a séculos.
Os habitantes de Saragoça são conhecidos como «manos», uma alcunha centenária cuja origem se perde entre a história e a lenda, mas que tem uma explicação histórica fascinante ligada à conquista da cidade no século XII e a um grito de guerra que ecoou pelas muralhas da cidade. Este apelido carinhoso é hoje um símbolo de identidade e orgulho para todos os zaragozanos.
A teoria mais aceite remonta ao ano de 1118, quando o rei Afonso I de Aragão, o Batalhador, empreendeu a conquista de Saragoça, que estava então sob domínio almorávida. O cerco foi longo e difícil: a cidade era bem fortificada e as tropas cristãs enfrentavam uma resistência feroz.
Segundo a tradição, durante os assaltos às muralhas, os soldados aragoneses gritavam «Santiago y manos a la obra!» enquanto escalavam as paredes da cidade. A expressão «manos a la obra» tornou-se o grito de guerra dos aragoneses, e os próprios soldados passaram a ser chamados de «los manos» em referência ao seu lema de combate.
Quando a cidade finalmente caiu em 18 de dezembro de 1118, os conquistadores entraram em Saragoça gritando «manos, manos». A população local, ao ouvir este grito, começou a associar os aragoneses ao termo, que com o tempo passou a designar todos os naturais da cidade.
A lenda popular é mais poética. Conta-se que o rei Afonso I, ao ver os seus soldados hesitantes perante as imponentes muralhas de Saragoça, teria exclamado: «¡Maños a la obra, que la ciudad es nuestra!» Os soldados responderam em coro: «¡Maños somos!» e partiram para o ataque. Diz-se que o próprio rei, impressionado com a valentia dos seus homens, começou a chamar-lhes «los manos del rey».
Outra versão da lenda conta que os soldados usavam as próprias mãos para escalar as muralhas porque não tinham escadas suficientes. A imagem das mãos agarradas às pedras das muralhas teria ficado gravada na memória coletiva e dado origem ao nome.
A primeira referência escrita conhecida encontra-se num texto de 1586 do cronista aragonês Jerónimo de Blancas, que já menciona o apelido coletivo de «los manos» aplicado aos naturais de Saragoça. No século XVII, o termo estava plenamente consolidado na cultura popular.
Durante o século XIX, o termo ganhou ainda mais força com o movimento romântico e a revalorização das tradições locais. Os zaragozanos abraçaram a alcunha com orgulho, e ela começou a aparecer em obras literárias, cancioneiros populares e na imprensa local.
Hoje, ser «mano» é uma marca identitária profundamente enraizada. Durante as Festas do Pilar, em outubro, é frequente ouvir a expressão «Soy del Pilar... y mano!» como declaração de orgulho local. A expressão «Aragón, manos» funciona como cumprimento entre conhecidos, e os adeptos do Real Zaragoça autodenominam-se «manos» nos cánticos do estádio La Romareda.
A alcunha é tão popular que dá nome a estabelecimentos comerciais, marcas locais, grupos de música e até marcas de vinho. Existe até uma «Ruta del Mano» turística que percorre os bares do Tubo onde se pode provar a gastronomia típica enquanto se conversa com zaragozanos que encarnam o espírito «mano».
Expressão típica: «¡Aragón, manos!» é usado como cumprimento ou saudação entre zaragozanos.
No desporto: Os adeptos do Real Zaragoça entoam «Maños del Real Zaragoça» nos jogos.
Na gastronomia: Existe um prato chamado «Maños a la obra» em alguns restaurantes do Tubo.
Na música: A banda aragonesa de rock «Los Maños» leva o nome da alcunha.
Para além da história e da lenda, o termo «mano» define o carácter dos zaragozanos: pessoas trabalhadoras («manos a la obra»), leais («mano amigo») e acolhedoras («mano aberta»). É uma palavra que transmite proximidade, confiança e identidade.
Os zaragozanos costumam dizer que «mano» não é apenas uma alcunha, é uma filosofia de vida que reflete a forma como encaram o mundo: com trabalho, honestidade e sentido de comunidade. Se vier a Saragoça, notará rapidamente que as pessoas têm orgulho em ser manos.
Para conhecer melhor a cultura local, recomendamos assistir a uma atuação de Jota Aragonesa, a dança tradicional da região, e complementar a sua visita com uma rota do vinho desde Saragoça para provar os sabores da terra. Ambas as experências ajudarão a compreender o carácter único dos zaragozanos.
Conheça o verdadeiro espírito «mano» alojando-se no centro histórico, onde os vizinhos cumprimentam na rua e os bares de tapas são uma extensão da sala de estar.
Os zaragozanos são chamados manos devido a uma tradição que remonta ao século XII. Durante o cerco de Saragoça por Afonso I de Aragão, os soldados cristãos gritavam «Santiago y manos a la obra!» ao atacar as muralhas. O grito de guerra «manos a la obra» ficou associado aos aragoneses e, com o tempo, passou a designar todos os zaragozanos como manos.
A lenda mais popular conta que durante a conquista de Saragoça em 1118, os soldados de Afonso I usavam as mãos para escalar as muralhas da cidade. O rei teria dito «Maños a la obra» e os soldados responderam «Maños somos!». Desde então, os zaragozanos passaram a ser conhecidos como los manos del rey, os manos do rei.
O uso documentado do termo remonta ao século XVI, embora a tradição oral o situe no século XII. A primeira referência escrita conhecida encontra-se num texto de 1586 do cronista aragonês Jerónimo de Blancas, que menciona o apelido coletivo de los manos aplicado aos naturais de Saragoça.
Sim, os zaragozanos sentem grande orgulho na alcunha. Mano é um termo carinhoso e identitário que usam com naturalidade. Durante as Festas do Pilar, é comum ouvir «Soy del Pilar... y mano!» como expressão de orgulho local. O termo aparece em canções, livros e até em marcas locais.
Sim, a expressão mais famosa é «Aragón, manos» usada como cumprimento entre zaragozanos. Também há «Ser un mano» (ser uma pessoa de confiança) e «Mano a mano» para descrever uma conversa entre dois zaragozanos. O termo também inspirou o nome do clube de futebol local, o Real Zaragoza, cujos adeptos se autodenominan «manos».